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A educação por princípios e o seu potencial de influência cristã na cultura

I - Introdução:

Esta é uma palavra de alerta acerca do papel estratégico da educação na formação de uma nação. A educação em uma nação não é somente a sua estrutura escolar com seus métodos, currículos, instalações e equipamentos, é antes de tudo o coração e o caráter do seu povo, enfim, é o espírito de uma nação. Se conhecermos como um povo educa as suas crianças, saberemos muito acerca desta nação. Jz 2:7-11.
A educação requer um entendimento do ser humano como um todo, um ser integral e que necessita de desenvolvimento pleno. A verdadeira educação deve apontar para a eternidade e contribuir para o processo redentivo do homem. A educação cristã deve preparar os caminhos para a chegada do Reino de Deus elevando o nome de Deus no meio da cultura.
O que Deus espera não são “megas” escolas cristãs, o que ele deseja é que sejamos fiéis referenciais da sua vontade expressa em vida para magnificar a sua glória diante dos homens. A escola cristã necessita ser uma referência, um farol, a luz e o sal para a educação onde quer que ela esteja. Somos o braço da igreja para trazer a glória de Deus para a cultura.
O educador cristão além de responder o chamado evangelístico, ele deve ter claro a sua responsabilidade com o chamado cultural de fazer todas as coisas convergirem para Cristo. Isto não significa de maneira alguma que venhamos fazer das nossas aulas mini-cultos ou escolas bíblicas, mas um compromisso de dedicação e busca pelas verdades de Deus expressas na própria Criação e manifestadas através do conhecimento acadêmico acomulado.  
É uma grande estratégia para transformação de uma nação a educação de suas crianças com base em princípios gerais estabelecidos pelo próprio Deus e identificados através no domínio das suas obras e na correta interpretação da sua Palavra.

II - Como a cultura é afetada pela educação

A cultura é o nosso segundo meio ambiente. O mundo natural onde vivemos, nos foi entregue acabado depois de avaliado como uma obra muito boa. (Gn 1:31) Como parte da sua função, o homem deveria administrar toda a Criação e interagir com ela construindo toda a estrutura de sobrevivência e domínio sobre a terra. A cultura surge como um produto da criatividade e inteligência dada por Deus para o homem dominar sobre a Terra. Toda esta construção deveria ser estabelecida com base nos princípios e fundamentos estabelecidos por Ele. Assim, podemos entender a cultura como fruto de um relacionamento do homem com o Criador e resultado de suas experiências e compromisso com Ele.
O mandato cultural de Deus é de que o homem seja frutífero e se multiplique enchendo a terra e sujeitando-a de acordo com Seus propósitos e Sua glória. O Velho Testamento repetidamente indica que o sucesso da comunidade Hebraica e a continuidade de sua cultura dependiam do conhecimento do Deus vivo e da obediência à Sua vontade revelada. O mandato de Israel era de educação e construção cultural! A grande comissão de Jesus a seus seguidores –“Ide e fazei discípulos de todas as nações ensinando-os a guardar tudo que vos tenho mandado” – é também um mandado cultural e educacional.
Educação é uma atividade religiosa, cuja função é instruir e treinar a próxima geração nos valores e princípios de uma cultura. O fundamento de todo sistema educacional (quer cristão ou secular) tem suas raízes na religião, e o currículo ensinado expressa os padrões religiosos e as expectativas culturais de tal sistema. A educação nunca é neutra com relação ao caráter que forma ou influência que exerce na cultura, ambos os quais determinam a saúde de uma nação. Ensino e aprendizado – o relacionamento ‘coração a coração’ e ‘mente a mente’ entre professor e aluno – toca a eternidade!  A influência, quer positiva ou negativa, que um professor tem de afetar a cultura e a saúde de famílias e nações é assombrosa e toca múltiplas gerações futuras.
A cultura é um subproduto do sistema educacional de uma nação, a transmissão das crenças, valores, moral e habilidades de uma geração para a próxima. O modo pelo qual uma geração instrui e treina a próxima determina a filosofia de governo (a que Deus estamos servindo?) e o bem estar (espiritual, produtividade e paz) dos cidadãos futuros.

“A justiça exalta nações, mas o pecado é a vergonha do povo.” Pv 4:24

O valor que uma nação coloca na educação em justiça determina seu lugar na história. A educação em justiça está enraizada nos princípios da Palavra viva de Deus. Ensinar crianças a como pensar, raciocinar e aplicar a Palavra de Deus à tomada de decisões e soluções de problemas afetará todas as esferas de governos ordenadas por Deus (indivíduos, família, igreja, e governo civil) e todas as instituições da sociedade.

Como exemplo, podemos analisar o fim da educação nos dias de hoje. Quando se pergunta: - por que se estuda? Logo se responde:- para ser alguém na vida, se ter um bom emprego e ter o sustento garantido. Outros ainda respondem simplesmente: - para passar no vestibular.
Esta é uma perspectiva para a educação puramente reducionista e mundana e demonstra uma verdadeira dependência do dinheiro. Na verdade, o fim da educação deveria ser cumprirmos o nosso chamado em obediência à ordem dada por Deus de tomarmos domínio da Terra. Deveria ser a busca pela nossa vocação natural em cima dos dons, talentos, habilidades e oportunidades que temos e da nossa realização em servir o próximo desta maneira. Somente estaremos plenamente realizados em nossa vida quando estamos fazendo aquilo para o qual Deus projetou para a nossa existência. Quanto ao nosso sustendo virá como conseqüência de quem realiza com muita competência o que faz e enquanto se sente a importância e significado da sua vida. A nossa provisão sempre deverá ser o Senhor. Este era o plano original.
Ou se educa para depender do dinheiro ou se educa para depender de Deus. Imagine a influência desta falsa filosofia de vida na nossa cultura? A escolha de profissões que dão dinheiro em detrimento das habilidades pessoais e das necessidades da sua comunidade.  Isto tudo gera intensa superficialidade no ensino e uma visão apenas mercadológica do conhecimento. E esta influência danosa não para por aí. Ter apenas o vestibular como alvo de vida, quantos não vivem esta realidade até que percebem a sua insignificância. Nos cristãos, esta visão errado para educação provoca insegurança em relação à dependência de Deus e um incapacidade de entregar-se a cumprir um chamado de Deus para suas vidas. Quantos ministérios morrem antes de começarem como resultado disto? Para outros, trabalhar apenas para juntar riquezas em detrimento de qualquer outra coisa, e assim vivem toda uma existência egoísta centrada naquilo que tem e não naquilo que é. Isto é terrível quando aplicado a formação de caráter.

O professor cristão necessita de ter uma experiência de dependência de Deus. Necessita entender a sua vocação e chamado para o que faz. Não pode ser aquele que é educador por conveniência, pois se não, como passará uma marca de dependência de Deus para os seus alunos?


III – Identificando o potencial de influência da educação na cultura

Vejamos a seguir algumas justificativas deste poder transformador que tem a educação. Vamos procurar fazer isto observando alguns dos seus principais elementos envolvidos no processo de educar:
- Os alunos(crianças)
As crianças têm um coração pronto para o aprendizado e são agentes de maior penetração em uma sociedade, pois possuem fortes vínculos afetivos com os adultos em sua volta e gozam de uma simpatia que lhes é peculiar. Elas também são sinceras e vivem o que crêem, pois não suportam a hipocrisia. São excelentes divulgadoras daquilo que ouvem e falam na primeira oportunidade com muita espontaneidade sobre aquilo que aprendem e lhes dá significado a vida. Além disto são humildes e com o solo do coração sempre pronto para receberem a semeadura. São famintas por verdade, beleza, justiça e pelo conhecimento. Será que não foram estas características que levaram Jesus a declarar que elas eram as principais no seu Reino? Lc 18:15-17. A educação lida com idéias e estas por sua vez se transformam em atitudes e ações. Quando plantamos idéias afinadas com o imaginário bíblico no coração das crianças, teremos atitudes e ações coerentes com a vontade de Deus que durarão para toda a vida.

- Pais e Professores
Após os pais, os professores são os mais poderosos ‘agentes de mudança’ na vida de um indivíduo, comunidade ou nação!
No plano de Deus para a educação do homem, os pais são os responsáveis primeiros por esta tarefa. Eles são os representantes dos interesses de Deus e devem instruir os seus filhos no conhecimento de Sua vontade. Os professores participam desta tarefa auxiliando os pais neste processo e os representando através de uma autoridade delegada. Nesta perspectiva, a sala de aula é um espaço soberano sobre a sua autoridade. Os professores possuem ainda uma rica oportunidade de convívio e relacionamento com as crianças num ambiente e idade favoráveis ao aprendizado. É um discipulado intenso que pode ser desenvolvido em todas as áreas da vida. O professor numa escola cristã é o currículo vivo. A sua vida e visão de mundo é uma inspiração para os alunos. O caráter de Cristo será impresso no aluno a partir de e como fruto do seu relacionamento com Ele e depois com os alunos nas diversas situações do dia. Esta influência de vida na vida é muito poderosa.

- A escola
É um lugar propício ao aprendizado. É um lugar de relacionamentos intensos e vivências diversas. No ambiente escolar a criança tem contato com a cultura através da contribuição de cada colega de sala e de uma intensa quantidade de informações e valores que lhe são ministrados de muitas formas e através de várias disciplinas. Nos dias atuais, o centro da formação da próxima geração, tem se deslocado cada vez mais do lar para a escola. É na sala de aula onde se forma a maior parte da visão de mundo das nossas crianças.

- Currículos
Através dos currículos, métodos e políticas educacionais, que nunca são neutros, mas carregam a visão de mundo dos seus idealizadores e a sua filosofia de vida e valores, as crianças são formadas e preparadas para lerem o mundo a sua volta com esta lentes. Esta é também uma influência decisiva naquilo que serão no futuro e da cultura que perpetuarão a próxima geração.

Podemos ter ainda uma justificativa histórica para isto, e comprovarmos como muitos líderes, governos e nações, na história da humanidade, descobriram e utilizaram este potencial para influenciar o seu povo e seu tempo através da educação. Ex. Samuel, Hitler, o comunismo, os morávios, os colonizadores americanos(puritanos), entre outros.


IV - Como a educação cristã por princípios pode ser eficaz na sua influência cristã para a nossa cultura

O que é um princípio? São os padrões de pensamentos de Deus que ele estabeleceu desde a fundação do mundo. É a sua maneira de pensar. A causa primeira. É como o sulco e as margens de um rio sempre a direcionar o fluxo das águas na direção estabelecida. Da mesma forma é sua atuação nos nossos pensamentos sempre dirigindo-os conforme os padrões de Deus.
O grande potencial e diferencial da Educação por Princípios de influenciar a nossa cultura com uma visão cristã de vida, dá-se também ao fato de tocarmos onde iniciam todas as ações do homem. Este modelo educacional é reflexivo e atua na formação das idéias dirigindo-as conforme os padrões de pensamentos de Deus. Não se repassa apenas informações prontas e acabadas, mas se investiga e raciocina buscando encontrar os fundamentos  que regem cada assunto e área do conhecimento, para encontrar neles padrões que se repetem, que nada mais são que princípios de vida aplicáveis em quaisquer outras situações e tempo.


V – Assumindo um desafio:

Não temos dúvidas sobre o este potencial de influência da educação, agora, o fato é: Como os educadores cristãos têm utilizado este potencial?
Além de todas estas evidências, como cristãos e chamados por Deus para esta obra, podemos ainda mais contar que temos a bênçãos do Senhor para isto, possuímos a Sua autoridade, temos os Espírito Santo para nos guiar a toda a verdade, temos um rebanho que nos foi entregue em nossas mãos o ano inteirinho para exercermos um discipulado intenso, o que queremos mais? E ainda somos pagos para isto? Ensine o temor do Senhor! Pv 9:10 Ensine a elas adorarem somente a Deus! Como fazer isto? Exalte os feitos do Senhor! Veja como o mundo, através dos meios de comunicação constrói seus ídolos! Coloque diante dos seus olhos as Suas obras, exalte os Seus feitos, comente sobre as Suas intimidades e relacionamento, proclame os Seus valores, Seus costumes, seus modos, o jeito de viver do Reino! Somente assim teremos naturalmente crianças apaixonadas por Deus, que O adoram com toda a sua força, entendimento e vontade. Fale do Seu amor, do Seu poder, exalte-O como maior arquiteto, maior artista, maior guerreiro pela justiça, maior juiz, maior legislador, exalte-O! Não roube a glória devida ao Seu nome. Faça isto em todas as áreas do conhecimento. Veja Rm 1:20-25.
O professor cristão tem a responsabilidade de mencionar os ‘créditos’ do Criador em cada disciplina e em cada assunto acadêmico, pois todo o conhecimento vem de Deus e, portanto revela a Sua glória! Você consegue enxergar a mão de Deus na história do Brasil através deste movimento de educação? Você entende por que chegou até aqui? Diante deste entendimento, qual deve ser a nossa postura?

- Entender a nobreza do nosso chamado, as suas responsabilidades e o preço envolvido;
- Compreender os planos maiores para o empreendimento de redenção e o momento histórico da nossa nação;
- Viver intensamente a vida de Deus em nós para sermos exemplo e modelo para os nossos alunos;
- Buscar com avidez o conhecimento para trazer à luz a verdade de Deus expressa nas suas obras;
- Depender de Deus e deleitar-se em fazer a Sua vontade sabendo que Ele proverá as nossas necessidades;
- Manter a mente renovada pela Palavra;
- Testemunharmos da importância da educação para a construção de uma nação;
- Utilizar-se da autoridade que nos é dada pelos pais. Manter a sua sala como um espaço soberano;
- Defenda os absolutos, não de maneira superficial e dogmática com chavões evangélicos, mas com lógica, inteligência e profundidade. Ensine a verdade! Salve os seus alunos e retire-os da ignorância.
- Respeite-os e não lhes negue a verdade. Não absorva o engano do nosso tempo, a tirania da tolerância. É um desrespeito com alguém, você saber do perigo e não avisá-lo disto. Isto é um delito culposo e por isto a bíblia nos adverte em Ez.3:18. Seremos culpados do sangue destes pequeninos se não fizermos isto. Assuma os riscos, assuma as conseqüências, defenda a verdade! Defenda a fé que uma vez foi entregue aos santos! A fé e verdade que por ela muitos já deram a própria vida e sacrificaram os seus corpos! Veja o alerta em Ez 34.

Um forte exemplo para nós é a vida de Daniel e de seus companheiros na corte babilônica. Dn 3:1-30. Este é um momento histórico para a educação na nossa nação. Pague o preço, por você, por seus filhos, pela nossa nação e pelo Senhor! Você tem o Espírito Santo, pergunte a Ele a verdade, Ele testifica sobre a verdade.

VI - Conclusão

Temos este desafio diante de nós. Podemos tornar as nossas aulas em um culto ao Senhor.  Sejamos profundos, pois não existe incompatibilidade entre a nossa fé e a verdadeira ciência. Lembre-se você tem o Espírito Santo que lhe dará testemunho da verdade.  A nossa cultura poderá ser transformada pela educação e transformando a maneira de pensar, iremos vislumbrar novos horizontes de prosperidade para o nosso povo. Vamos aplainar os caminhos para que o Reino de Deus se manifeste entre nós. Magnifique ao Senhor de modo que todos O vejam. Torne conhecida as Suas obras. Amplie a Sua glória para que todos os seus alunos a vejam com facilidade. Encha-se da glória do Senhor para que ao entrar na sala os seus alunos vejam o brilho dela no seu rosto e sejam tocados por Ela. Medite em Isaías 40.
A escola de educação cristã por princípios é o grande potencial estratégico e a ferramenta que temos na mão para este momento da nossa nação e talvez único em sua história, a última oportunidade de restauração. É muito grande o potencial da educação em reparar os caminhos para trazer de volta uma nação a Deus e aos Seus padrões morais.

Nota: Palestra proferida por ocasião do XVI Workshop de Educação Cristã por Princípios da AECEP em Sumaré - Estância Arvore da Vida por Rubens Cartaxo em Jul/2007.

 

Comentários:

- Simone Rodrigues Messias
- Sábado, 26 de Maio de 2012 as 00:10:19
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Que artigo impactante! Tenho pensado muito sobre isso e sinto que um incômodo do Senhor tem sacudido meus pensamentos.Pergunto para Deus o que Ele irá fazer com tudo que vivi, aprendi e errei na Educação por Princípios. Sinto culpa pelo o que não deu certo e peço à Deus que alcance na vida dos meus filhos, onde eu não pude chegar. Me sinto tão pequena diante da grandeza que é educar por princípios, mas ao mesmo tempo tenho fome e sede de ver e viver uma educação que seja plena em Deus. Entrar no site do Imago Dei, ler e ver o que vocês tem vivido é maravilhososo para mim. Quanto a mim, aguardo em Deus. Desejo que o potencial de vocês continue sendo desenvolvido pelo Senhor. Simone.
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